quarta-feira, março 17, 2010

Onde meus sonhos descoloridos e amarrotados

Por muito tempo


Me vi dependurado na lua

Meus caminhos eram minhas histórias

Contadas para que eu mesmo acreditasse

Olhando meu coração sem janelas

Disparando sol sem sombras

Uma menina feliz não me viu sentado

É assim quando se está vestido de pensamentos

Lágrimas são distantes demais para se ouvir

Vou colher intervalos

E plantá-los em vasos trincados

Pelo tempo descuidado

Semente da minha voz

De todos os dias cansados

Por todos os dias levados

Assim é meu hoje

Feito de horas que morrem

Momentos que nascem

No estampido abafado

Da consciência

Ouve-se uma cor

É a translúcida verdade

Antepondo-se à textura

Realidade

Amasso meu caminho

Coloco-o no bolso do esquecimento

Parto para onde não sei

Onde meus sonhos descoloridos e amarrotados

São os únicos a quem chamo de lar

2 comentários:

Djabal disse...

Sua poesia, de fato, não diz apenas, ela transmite. Um clarão, um canto obscuro, uma sensação explorada com a cadência da poesia, e nós leitores ficamos sentindo e nos imaginando a caminhar para o lar dos sonhos amarrotados. Um grande abraço.

Madalena Barranco disse...

Querido Leandro, atraída fui para sua poesia... E como foi bom voltar a ler sua alma, que irradia em cada verso seu. Sim, você está certo, você é o que transmite. E agora é hora de recuperar todos os sonhos!

Beijos da amiga.